08 de janeiro de 2024
Bondades e limitações do sistema eNPS
- O Employee Net Promoter Score é um sistema para medir o sentimento dos trabalhadores baseado no modelo previamente utilizado para avaliar a experiência dos clientes
- É feita uma única pergunta simples aos funcionários e, com base na resposta, eles são classificados em uma das três categorias: promotor, detrator ou passivo
- Sua simplicidade é uma faca de dois gumes, pois facilita a coleta massiva de dados, mas pode ignorar nuances e fatores específicos que afetam o engajamento dos funcionários
- A ação é fundamental para aproveitar ao máximo o eNPS; caso contrário, torna-se uma métrica vazia sem impacto real na cultura organizacional
Desglose do eNPS no ambiente de trabalho
Embora na era digital tenham sido introduzidas múltiplas ferramentas e tecnologias que mudaram radicalmente a forma de trabalhar, os funcionários continuam sendo as engrenagens indispensáveis nas operações de qualquer empresa. Ao contrário das máquinas, as pessoas, como é natural, precisam de cuidados que sirvam para melhorar um elemento chave: a satisfação. Entre as diversas métricas utilizadas para avaliar o sentimento dos trabalhadores em relação à sua empresa, o eNPS (Employee Net Promoter Score) é certamente a que mais popularidade ganhou nos últimos anos. Trata-se de um sistema baseado no modelo criado pela entidade Bain & Company e o especialista Fred Reicheld, previamente utilizado para avaliar a experiência dos clientes.
Em uma pesquisa eNPS padrão, costuma-se perguntar se, em uma escala de 0 a 10, o funcionário recomendaria os produtos de sua empresa a terceiros ou, diretamente, a seus familiares e amigos. De acordo com sua resposta, eles são classificados em uma de três categorias: promotor, detrator ou passivo. Aqueles que se encaixam na primeira são os que marcam entre 9 e 10, portanto, formam a parte mais motivada e satisfeita dentro da organização. Os detratores, por outro lado, são aqueles que respondem entre 0 e 6, e representam o segmento da empresa que não se sente realmente vinculado à empresa. Por fim, os passivos, cuja resposta vai de 7 a 8, são a parte neutra que não tem maiores queixas, mas também não estão totalmente entusiasmados com sua entidade.
Além de sua crescente popularidade, o eNPS, como qualquer sistema, possui uma série de vantagens e desvantagens. Um dos pontos fortes mais relevantes é sua simplicidade, pois se baseia apenas em uma única pergunta dirigida ao funcionário, facilitando assim a coleta massiva de dados e sua posterior análise. Essa característica do sistema não só permite que as organizações o implementem de maneira rápida e eficiente, mas também é conveniente para as pessoas a quem se destina. A simplicidade, no entanto, é uma faca de dois gumes. Ao se basear em uma única pergunta, a pesquisa eNPS pode ignorar nuances e fatores específicos que afetam o engajamento dos funcionários. Portanto, as empresas podem precisar de métricas adicionais para obter uma compreensão mais completa do ambiente de trabalho e das áreas de melhoria.
Impulsionando o engajamento: Estratégias práticas para potencializar o eNPS
Por outro lado, ao contrário das pesquisas de engajamento tradicionais, o eNPS pode ser implementado de forma contínua. Isso permite que as empresas meçam o engajamento dos funcionários em intervalos regulares, fornecendo dados em tempo real sobre a saúde organizacional com uma capacidade de acompanhamento constante que facilita a identificação precoce de problemas e a implementação de soluções proativas. As informações extraídas desse acompanhamento são muito relevantes, pois foi demonstrada uma correlação positiva entre um alto eNPS e o desempenho empresarial. As empresas com funcionários altamente engajados tendem a superar seus concorrentes em termos de produtividade, inovação e satisfação do cliente. O eNPS, portanto, pode servir como um indicador preditivo do sucesso a longo prazo.
Algumas organizações podem cair na armadilha de focar exclusivamente na coleta de dados do eNPS sem implementar medidas significativas para abordar os problemas identificados. A ação é fundamental para aproveitar ao máximo o eNPS; caso contrário, ele se torna uma métrica vazia sem impacto real na cultura organizacional. Também é verdade que a subjetividade da pergunta do eNPS pode dar origem a viés nas respostas. A interpretação do que constitui um "bom lugar para trabalhar" pode variar entre os funcionários, o que afeta a consistência das avaliações. Além disso, fatores externos como eventos temporários ou mudanças na direção podem influenciar as respostas e distorcer os resultados.
Se os dados forem externalizados, o eNPS permite que as empresas comparem seus resultados com os de outras organizações do mesmo setor ou indústria. Essas comparações benchmark oferecem insights valiosos sobre o desempenho relativo em termos de engajamento dos funcionários, o que pode guiar as empresas para melhores práticas e áreas de melhoria. Deve-se levar em conta, no entanto, que em organizações grandes a amostra de funcionários que participam da pesquisa pode não ser totalmente representativa. A falta de participação de certos grupos ou departamentos pode enviesar os resultados, alterando a percepção geral do engajamento organizacional.
Com tudo, o eNPS pode ser uma ferramenta poderosa desde que seja implementado estrategicamente e combinado com abordagens adicionais para avaliar o engajamento dos funcionários. Ao abordar as limitações deste sistema e adotar estratégias específicas, as organizações podem aproveitar ao máximo a métrica para impulsionar uma mudança positiva na cultura organizacional e melhorar a satisfação e retenção dos funcionários. Em última análise, o sucesso do eNPS reside na sua integração efetiva dentro de uma estratégia mais ampla de gestão de talentos e engajamento.
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