14 de maio de 2024
EProctoring: Como garantir a identidade nas avaliações remotas
Adaptação da avaliação à educação a distância
Desde o último ano letivo, as instituições de ensino tiveram que se adaptar à nova realidade provocada pela pandemia, onde a presença física na sala de aula deu lugar a um formato a distância, no qual alunos e professores passaram longos períodos de tempo desenvolvendo suas atividades a partir de suas respectivas casas.
Esse formato a distância foi possível graças ao uso massivo da tecnologia, incorporando ao dia a dia as aulas por videoconferência, quadros virtuais e um conjunto heterogêneo de ferramentas de co-criação e dinamização de atividades online. Essa tecnologia, aliada a um esforço considerável de toda a comunidade educativa, permitiu superar com sucesso os dois últimos anos letivos.
No entanto, toda essa digitalização da formação apresenta o desafio da avaliação, que também teve que se adaptar a esse novo formato não presencial. Nesse cenário, é essencial garantir a identidade, a ausência de ajuda e a não substituição da pessoa examinada.
Assim, nos últimos anos foram introduzidos e adaptados diferentes modelos de exame, alternativos aos tradicionais e adaptados à avaliação online, com o objetivo de garantir a legitimidade das provas:
- Provas finais enviadas por e-mail ou através de sistemas de gestão da aprendizagem (LMS), com um tempo limite para responder. Esses sistemas buscam dificultar a realização de fraudes, como a busca ou compartilhamento de respostas, mas não são capazes por si só de garantir que quem realiza o exame é quem diz ser.
- Provas baseadas em videoconferência professor-aluno. Esse sistema de provas pode ser útil para avaliações de pequenos grupos, mas nem sempre é possível adaptá-lo a grupos maiores ou a determinadas disciplinas.
- Provas com reconhecimento biométrico, onde, por meio do uso da Inteligência Artificial, analisa-se a identidade e a atividade do aluno avaliado.
É no caso das provas realizadas com reconhecimento facial que a tecnologia de eProctoring fornece os mecanismos necessários para verificar a identidade dos alunos durante a realização das provas de avaliação, apresentando-se como uma possível solução para a problemática da avaliação a distância.
O que é o eProctoring?
Entendemos por eProctoring o conjunto de técnicas que permitem a verificação da identidade dos estudantes e a monitorização e vigilância de suas atividades com o objetivo de impedir, ou pelo menos prevenir, a realização de fraudes nas provas de avaliação realizadas de forma remota.
Para realizar essa monitorização, utiliza-se um amplo leque de recursos telemáticos (câmera web, microfone ou navegadores seguros, entre outros) e métodos biométricos (reconhecimento facial, padrões de digitação, etc.).
Quais tipos de eProctoring existem?
Dependendo de como a vigilância da prova é realizada, podem ser identificados dois grandes tipos de eProctoring:
eProctoring automatizado
Nesse caso, tanto a verificação da identidade quanto a monitorização da atividade são realizadas de forma automática, graças ao uso de diferentes métodos de Inteligência Artificial e análises biométricas.
A informação capturada é analisada e um relatório é gerado sem a necessidade de qualquer tipo de intervenção humana.
Esses sistemas automáticos permitem realizar a vigilância de uma maneira mais econômica, aceitando um maior volume de usuários de forma simultânea.
O ponto negativo desses sistemas automáticos é um número mais elevado de situações identificadas como “tentativas de fraude” (falsos positivos), que requerem mais verificações posteriores por parte dos avaliadores.
eProctoring ao vivo
O Live Proctoring, ou eProctoring ao vivo, consiste em sistemas onde a vigilância é feita mediante supervisão humana, com o apoio de mecanismos de Inteligência Artificial. O vigilante pode ver o estudante através de sua webcam, pode ter acesso ao seu navegador ou desktop e, em alguns casos, ouvir o estudante durante a realização do exame. Dado que um mesmo vigilante deve poder controlar vários estudantes ao mesmo tempo, os sistemas de IA se encarregam de criar alertas que permitem focar a atenção nas atividades suspeitas detectadas.
Esse sistema provoca um menor número de falsos positivos (o fator humano ajuda a descartar situações onde o estudante não está realizando fraudes), mas implica um custo mais elevado.
Nesse caso, é importante considerar mais os aspectos de privacidade, dado que os vigilantes têm acesso à imagem, documentação e atividades dos estudantes examinados.
Conclusões
As ferramentas de eProctoring permitem continuar realizando avaliações em um contexto de formação remota, ajudando os centros educativos a garantir a legitimidade dos resultados obtidos.
O eProctoring ajuda a reduzir a realização de trapaças por parte dos alunos, mas em nenhum caso permite assegurar a ausência absoluta delas, da mesma forma que acontece nos exames tradicionais com vigilância presencial. No entanto, dão a possibilidade aos estudantes de realizarem avaliações de suas casas, com garantias para os professores que até há pouco tempo pareciam impossíveis.
Em próximos artigos contarei quais fatores devem ser considerados para escolher a ferramenta mais adequada às necessidades de cada centro educativo e como podemos implementar a incorporação do eProctoring nos processos de avaliação.
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