11 de julho de 2024
O desafio da tecnologia inclusiva
A tecnologia penetrou em cada canto de nossas vidas e de nosso entorno. Desde a maneira como nos comunicamos até como trabalhamos, aprendemos e nos relacionamos, sua influência é profunda e evidente. Este avanço tecnológico traz consigo inúmeros benefícios e um impacto positivo na evolução humana.
Inclusão tecnológica: um desafio crucial na era digital
No entanto, como em toda revolução, a tecnologia também pode reproduzir algumas desigualdades já presentes em nossa sociedade. Para que a tecnologia cumpra sua função de progresso e equidade, é crucial que se torne um agente ativo de inclusão. Nesse sentido, a concepção e o design da tecnologia desempenham um papel fundamental para sustentar e empoderar diferentes grupos que podem ser excluídos.
Por exemplo, o acesso desigual à internet ou a dispositivos digitais pode criar uma barreira significativa para aqueles que pertencem a comunidades desfavorecidas, limitando suas oportunidades de educação, emprego e participação social. Em 2023, 2,7 bilhões de pessoas ainda não tinham acesso à Internet, com o que 36% da população mundial não pode se beneficiar de um dos grandes ativos da transformação digital.
Além disso, os vieses inerentes nos algoritmos e sistemas de inteligência artificial podem replicar e amplificar as discriminações já existentes. Um estudo da Universidade de Stanford em 2020 identificou que, nos EUA, os algoritmos de recrutamento utilizados pelas empresas tinham mais probabilidades de beneficiar candidatos brancos. Para combater essas desigualdades, a tecnologia deve ser projetada e desenvolvida de maneira inclusiva, criando ferramentas e plataformas acessíveis a todas as pessoas e respondendo às necessidades e perspectivas das comunidades marginalizadas. Consideramos que a mudança surge de um processo responsável, acessível e colaborativo, e não como um ponto ao final de um processo.
A neutralidade da tecnologia: um mito
Considerar a tecnologia como uma entidade neutra é um erro, pois cada solução está impregnada das crenças, valores e vieses de quem a cria. Por exemplo, os algoritmos de contratação automatizada podem favorecer candidatos que refletem as características de quem historicamente ocupou esses cargos, perpetuando a exclusão de grupos minoritários e sub-representados. Portanto, a tecnologia deve ser projetada e avaliada com um enfoque consciente desses vieses, priorizando seu impacto na sociedade, acima das intenções particulares de quem a concebeu.
As tecnologias devem evoluir junto com a sociedade, abordando as novas formas de desigualdade que possam surgir. Isso implica uma vigilância e ajuste permanente de políticas e práticas para assegurar que todos os indivíduos possam se beneficiar equitativamente dos avanços tecnológicos.
Inclusão e participação de coletivos marginalizados
A participação daqueles coletivos marginalizados na concepção e desenvolvimento de tecnologia é essencial já que somente mediante a inclusão de diversas perspectivas é possível criar soluções que verdadeiramente abordem as necessidades de todas as pessoas. Por exemplo, o design de dispositivos que considerem as limitações físicas ou mentais de usuários com deficiências só pode ser alcançado através da colaboração ativa com esses grupos, já que cada pessoa é uma especialista consequência de sua própria trajetória de vida e, portanto, pode fazer contribuições únicas e excepcionais. Trabalhamos para conseguir resultados sustentáveis, controlados e direcionados ao coletivo.
A interseccionalidade é um conceito crucial na inclusão tecnológica. Trata-se de considerar mais de uma única dimensão de desigualdade, como gênero ou raça, reconhecendo de forma agregada como as múltiplas formas de discriminação interagem entre si e afetam as pessoas, desde a orientação sexual, a deficiência ou a idade, entre muitas outras. Assim, uma mulher de uma minoria étnica com alguma deficiência deve enfrentar barreiras que devem ser entendidas de forma global, e não simplesmente somando os desafios de cada coletivo afetado (mulher, etnia minoritária, com deficiência), separadamente. Ou seja, a tecnologia deve ser sensível a essas complexidades para oferecer soluções verdadeiramente inclusivas.
A tecnologia tem o potencial de ser uma força positiva para a inclusão social, desde que seja concebida, projetada e implementada, desde sua origem, com consciência e responsabilidade. A criação de uma tecnologia verdadeiramente inclusiva é um desafio contínuo que requer a participação ativa de todos e cada um dos setores da sociedade. Só assim poderemos construir um futuro mais justo e equitativo, onde todos tenhamos a oportunidade de nos beneficiar dos avanços tecnológicos. A inclusão é muito mais que um ideal, é uma responsabilidade e uma necessidade imperiosa para humanizar a era digital na qual estamos imersos.
Share
Talvez te interesse
SEIDOR entrega o prêmio ‘Humanismo Tecnológico’ ao Grupo Hospiten
SEIDOR entregou o prêmio 'Humanismo Tecnológico' ao Grupo Hospiten, nos Prêmios Computing 2024, durante a cerimônia realizada em Madri. Este reconhecimento destaca o compromisso do Grupo Hospiten em aplicar a tecnologia no campo da saúde, buscando um impacto positivo no bem-estar das pessoas.
SEIDOR impulsiona a ocupação TI de pessoas com deficiência
A entidade social e a consultoria tecnológica inauguram o primeiro enclave tecnológico da entidade com o objetivo de impulsionar a inclusão laboral de pessoas com deficiência, em um contexto de aceleração da transformação digital devido ao impacto da inteligência artificial generativa